Gerenciar além do consumo

Gerenciar além do consumo

24 de agosto de 2018 0 Por Pedro Dias

Com o tema eficiência energética em alta não são raros os casos onde consumidores, principalmente industriais, destinam seus esforços e recursos para ações que buscam somente a redução do consumo de energia elétrica com objetivo de diminuir o valor pago na conta de energia ao fim de cada mês. No entanto, no faturamento da energia em empresas de médio e grande porte, onde se verificam os maiores consumos, e, consequentemente, os maiores potenciais de otimização da utilização deste insumo, consideram-se três pilares macros que juntos determinam o valor a ser pago à concessionária local. São eles:

 

  1. Consumo: é a quantidade de potência ativa, consumida em um determinado período de tempo, expressa em kWh;
  2. Demanda: é a demanda de potência ativa a ser obrigatória e continuamente disponibilizada pela distribuidora, no ponto de entrega, conforme valor e período de vigência fixados em contrato, e que deve ser integralmente paga, seja ou não utilizada durante o período de faturamento. É expressa em quilowatts (kW);
  3. Aproveitamento: o Fator de Potência é a razão entre a energia elétrica ativa e a raiz quadrada da soma dos quadrados das energias elétricas ativa e reativa, consumidas num mesmo período especificado.

 

Neste cenário, gerenciar apenas o consumo de forma isolada pode trazer resultados em um primeiro momento, porém, certamente a coordenação de ações que impliquem diretamente em cada um dos três fatores de cobrança de energia trará resultados mais expressivos na redução de custo para o consumidor.

Para chegar a patamares mais elevados de otimização do uso da energia elétrica, e com isto reduzir o custo específico da energia consumida, é preciso um olhar mais amplo para o direcionamento de ações que busquem de forma prática e sem considerar as possibilidades de mercado que possam reduzir o valor pago por kWh, atingir uma maior produção consumindo a mesma quantidade de energia ou a redução do consumo para uma mesma quantidade de produção. Ambas situações resultam em otimização do uso atendem o conceito de eficiência energética e impactam financeiramente no contrato de energia.

O consumo de energia elétrica de uma carga está relacionado a suas características elétricas, estruturais e de funcionamento. Com advento da tecnologia e aprimoramento do conhecimento, a eficiência energética dos equipamentos e máquinas elétricas tem melhorado bastante, o que permite um menor consumo de energia para realização de um mesmo trabalho. Este conceito já é bastante explorado nos denominados motores de auto rendimento. Neste âmbito, conhecendo melhor o consumo de cada equipamento ou máquina instalados, é possível a redução da quantidade de energia consumida apenas substituindo estes por similares que consumam menos e produzam o mesmo. Uma boa análise técnica e financeira determinará a viabilidade da substituição. É importante destacar a importância de uma medição permanente em cada carga para realmente conhecer seu perfil de consumo na prática, considerando as condições operacionais e de instalação. Esta medição também permitirá uma verificação precisa dos resultados obtidos após a instalação do novo equipamento ou máquina.

Para o pilar demanda de energia elétrica que está intrinsecamente relacionado à capacidade reservada dos recursos disponibilizados pelo sistema elétrico na estrutura de geração, transmissão e distribuição de energia, para atender um determinado consumo em um período de tempo, se faz necessário o mapeamento do perfil de consumo por meio de medição temporária ou permanente com a utilização de medidores eletrônicos de energia e um sistema de gerenciamento de energia (SIGE) que disponibilizem as curvas de consumo e demanda para uma análise do perfil de utilização, como demonstrado no gráfico abaixo:

 

 

Caso identificado que a demanda foi contratada para atender apenas alguns picos de utilização, é possível intervir com ações que visem a linearização do perfil de consumo para obter uma melhor utilização da demanda contratada. Durante muitos anos de trabalho da Metrum nesta área, foram identificadas muitas oportunidades de redução da demanda contratada, o que impactou diretamente no contrato de energia de clientes. Para se operar a demanda com mais segurança e menor risco de violação do valor contratado, que por norma gera penalizações financeiras, a Metrum disponibiliza soluções consagradas em Controle de Demanda personalizados que consideram parâmetros elétricos e operacionais do processo da cadeia de valor do cliente, para possibilitar o melhor aproveitamento e utilização da demanda de energia elétrica.

O terceiro pilar influenciador na conta de energia, denominado Fator de Potência (FP), que está relacionado ao aproveitamento da energia elétrica para realização de trabalho (energia ativa – kWh) é determinado pelas características elétricas e de funcionamento da carga. Por meio da medição geral e setorial disponíveis no SIGE, obtém-se esta grandeza de forma individualizada, por carga ou grupos de cargas, possibilitando o mapeamento das cargas/circuitos que apresentam baixo FP. A extratificação de informações quanto ao consumo elétrico do processo, possibilitam ações direcionadas e mais efetivas para correção do FP, mantendo-o dentro do limite de contrato, evitando assim, as penalizações financeiras. Uma vez mapeados os pontos mais críticos, é possível determinar qual a melhor solução, seja ela distribuída ou geral no ponto de conexão com a concessionária. A Metrum dispõe de soluções que vão desde o levantamento, análise da viabilidade técnica/comercial à implantação e start-up de compensadores reativos, passivos e ativos.

Gerenciar sem medição é impreciso e põe em risco a efetividade de ações que buscam eficiência energética. Conhecer bem suas instalações elétricas, o perfil de consumo de cada área produtiva ou máquina individualizada, é o caminho para uma gestão de energia elétrica de forma precisa e eficaz. Isto é de suma importância para qualquer tipo de negócio, propicia maior competitividade e causa impactos positivos nos âmbitos financeiro, ecológico e social.